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June 13 soterrada...ela vivia nos últimos dias uma avalanche e ela estava submersa, porém lutando.
era uma avalanche aterradora onde todos os pesos e levezas do mundo tocavam o seu corpo e ela naum sabia se pesava ou se flutuava.
era uma vontade constante de gritar de alegria e de chorar de medo. era um grito abafado de euforia e um choro engolido de desapontamento. tudo entupia e fazia pressão...
na avalanche ela pensava em pedir ajuda, ela queria chorar para alguém, ela queria cuidado, mas nada disso era comum...toda a falta era, toda a vontade era, mas o pedir, naum...o chorar, naum.
no meio da avalanche ela queria ser resgatada, ela queria que alguém lutasse bravamente por ela, enfiasse a mão lá dentro das profundezas das coisas que a afogavam e a puxasse de volta, mas sabia no fundo que ninguém fazia idéia da avalanche e que mesmo quando ela tentava dar indícios, contar para alguém em forma de conversa corriqueira, ninguém estava realmente disposto a desafogá-la ou sabia como fazer isso...dava um aperto maior ainda no coração, ela sabia voltar ao tempo em que aprendeu a ser um peso só para si, ela sabia precisar a data na qual se sentiu um fardo pela primeira vez e um fardo por nada...naum tinha avalanche, era tudo muito óbvio, mas o fardo era pela existência e daí, diante disso, todas as coisas q começavam a se petrificar dentro dela, já naum faziam mais sentido em serem colocadas para fora, expostas e solucionadas por alguém q naum fosse ela mesma. ela se perguntava se o erro era apenas dela? se a existência já pesava, por que compartilhar os pesos de dentro da existência? já bastava tudo e o universo crescia nela imenso, eterno, negro, cheio de dúvidas, surpresas, imprevisibilidade, medo e acima de tudo cheio de tristeza e falta de saída...ela queria tentar e realmente tentava mudar as coisas...
ela olhava para todas as conclusões que tirava da vida, ela olhava para todos os pensamentos e explicações racionais, óbvias, verdadeiras e complicadas e simplesmente naum entendia como mudar as consequências do que já se passou e se passava há tanto tempo. ela preferia acreditar que podia estar acima de tudo aquilo, que podia estar acima de querer atenção, carinho, cuidado, mimo, porque ela via tudo isso sendo dados aos outros e achava no fim das contas um estrago, apenas maneiras superficiais e fúteis de tapar buracos e fechar os olhos diante das reais necessidades de uma existência em grupo. era muito confuso, porque ter aquilo era uma maneira de se estragar alguém e não ter estragava em uma medida que ela percebia que era ainda maior. ela só naum entendia o que era pior.
a avalanche naum pára nunca, ela é brava e consegue recobrar o fôlego e respirar o suficiente para viver e lutar como pode, mas engolir grito de alegria e soluço de lágrima faz doer tudo dentro e naum pára nunca de doer, a avalanche entrega possibilidades demais e possibilidades que distanciam, bloqueiam e impossibilitam sentir outra coisa que naum uma paralisia quase completa, então a alegria nunca é alegria mesmo, só o medo e o choro que são, mas só dentro dela...sozinha sempre.
ela queria que alguém fosse realmente capaz de entender. entender de verdade e naum apenas ter uma idéia. que alguém pudesse e quisesse ajudar de verdade, desempenhando um papel que faltava há tanto tempo...
mas de qualquer forma tudo seria resolvido ou naum dentro de apenas um coração e uma mente...e naum seria de ninguém além dela mesma.
mas mesmo assim ela tem uma vontade infinita, uma sede que naum tem fim e ela corria com as suas pernas mais e mais pra dentro à medida em que ganhava mais e mais quilômteros percorridos. sem fim. ela neste momento tem certeza dentro de si, conhecendo o que ela conhece de si, que isso nunca mudaria e q todos os quilômetros de terra do mundo naum seriam nunca suficientes para a sua alma...
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