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31 March como se nunca antes...mesmo quando a gente é jovem, se pára para pensar em tudo aquilo que foi vivendo ao longo dos anos percebe que a vida é grande...a vida é grande mesmo para quem tem 23 anos.
já cansei de ouvir por aí: mas você é tão novinha! ainda tem muita coisa pela frente, como se para nós jovens, não fosse permitido ter passado e sentir saudade do passado. como se não pudéssemos ter tido experiências malucas, mudanças de fases e gostos e muitas histórias colecionadas.
viver é questão de permissão.
ter vida é se permitir criar histórias de vida conhecendo pessoas, lugares, sentimentos...
eu já fui menina metaleira, hippie, tentei surfar, ratinha de praia, amiga dos manos mais perigosos do bairro...já sai no tapa, já fui parar na delegacia, já levei suspensão e cabulei aula na caixa d'água...
brinquei na praça, subi na árvore, achei q era a líder do exército da salvação da vila onde morava...
assisti grease, embalos de sábado a noite, amei o john travolta, o cazuza, o paulo ricardo e o pepeu gomes...
já toquei guitarra, pensei em cantar, escrevi (e escrevo até hoje) e me pendurei na janela do meu quarto...
o ponto é que mesmo com 23 anos, apenas, com muitos por vir, tomara, eu tenho sim um montão de vida vivida e pensar nessa vida vivida com paz é raro, sem se torturar de saudade e sem querer fugir da vida atual também é, mas nada que uma manhã de sol, um cd do ben harper e um ônibus veloz numa manhã sonolenta não me permita fazer de vez em quando.
(parece que sempre o que passou, mesmo com piores e maiores adversidades é melhor do que é...)
esses momentos valem a vida em si. lembrar, colecionar, rir de si mesma, rir das coisas q fez, q disse, dos meninos q conheceu, das meninas, de tudo...isso é vida também!
o mais maluco de tudo é encontrar antigos conhecidos, pessoas que fizeram parte da sua vida cotidiana, dos seus pensamentos e sentimentos e perceber que elas hoje não são mais do que estranhas na mesma balada.
aquela pessoa que você ligava, que te ligava de volta, que te deu carinho, atenção, q pertenceu um pouco a você e se permitiu ter um pouco de você também, hoje não é nada além de um olho que se cruza como olhos se cruzam em pontos de ônibus sem pretensão nenhuma...
menos de 3 segundos e desviam...sem acrescentar nada, sem levar nada...
o rosto não é mais sinal de absolutamente nada...o rosto não é você!
essa vida mesmo!! ao longo dos anos dá e tira tudo...as pessoas, os sentimentos, os momentos, os sonhos e as vontades...
*ok! o ciclo na verdade não se fecha nunca, pois esse minuto já é parte do passado e mesmo que ele seja muito dolorido, coisas boas ainda restam de uma hora atrás para me trazer de novo a nostalgia em pouco ou muito tempo.
inaptidão social... 16 March Escolha de quem?Ela não sabe se acredita na questão da opção.
Será que é de fato possível escolher a forma com que se encara a realidade?
Se a visão de mundo de cada um é formada à partir das experiências destes uns e se as experiências são situações expostas por um mundo alheio às vontades destes uns, então a visão formada à partir disso não pode ser escolhida.
Ela acreditava que os seres-humanos eram uma soma de fatores, muitos, infinitos, mas que no entanto, os maiores determinantes das personalidades eram: papai/mamãe (conseqüentemente vovô/vovó e assim genealógicamente sem fim!), meio-ambiente (cidade, estado, país, casa, bairro, escola, viagens e mais uma lista novamente sem fim), religião, moral, crenças e valores e exemplos...
Bem, neste momento de enumerar as razões ela acabava por se perder, porque é claro que não é mesmo possível dizer tudo aquilo que faz de uma pessoa aquilo que ela é.
O ponto que ela buscava com seu argumento era o de que dependendo de como você fosse ensinado a ser, isso seria o principal fator na maneira com que você reage às situações impostas pela vida.
Tem gente que aprendeu a enxergara vida com facilidade, a sorrir muito e a entender que as coisas passam e que é melhor mesmo não se preoucupar e não se torturar tanto, ela tinha uma amiga que era assim, que sabia sofrer na medida aparentemente certa. Sofria, mas não ficava abatida e por isso, o que não dizia respeito ao motivo do sofrimento, não era afetado, pelo menos não fortemente.
Tem gente que aprendeu a se sentir vítima das coisas. Se sentir um pobre coitado de mãos atadas diante dos problemas e assim, fazer um drama daqueles que precisa de platéia para enxergar. Ela também conhecia alguém assim, e este, para ela, era o pior tipo de sofredor. o que quer atenção o tempo todo, platéia e mimo. ela definitivamente não aprendeu a mimar do jeito mimado convencional.
Tem gente que se cala, que se fecha, sofre sem medida, excessivamente, mais do que deveria, com certeza, e assim prejudica todos os outros setores da vida. o trabalho, o amor, as amizades, a família e todas àquelas coisas que formam o escopo básico de atividades e relacionamentos dos seres-humanos (todo mundo tem família, ou ausência dela, logo, problemas familiares. todo mundo tem trabalho, ou desemprego. amor ou falta dele. amigos ou solidão!).
Tem gente que sofre e cavoca mais e mais fundo no sofrimento. tem gente que aprendeu (aí pode ser com os pais ou com o mundo!) a pensar d+, a questionar e explicar de mais e assim, como é claro que a vida não é 100% nossa, as respostas também não são. ninguém tem todas. ninguém tem nada, isso sim.
Bem, o que ela queria na verdade era enteder se cabia à ela ou não escolher entre sofrer muito ou pouco. entre sofrer na medida e quem sabe até não sofrer (tem gente que deleta, que não permite).
Ela acreditava sim que grande parte era sua opção, mas entendia que se era o jeito de ela encarar as coisas, se ela era aquela sofredora para tudo, então não adianta lutar contra.
Nesse momento ela sentia um medo terrível de estar condenada a passar a maior parte dos seus dias triste. frustrada e indo em pensamento muito além do que qualquer ação permitia. isso doía muito. não dependia só dela.
de manhã era sempre a mesma coisa: "que hoje seja um dia tranqüilo! sem problemas de relacionamento, produtivo e que passe rápido!".
Que passe rápido? Outra questão aflorava. " Se eu quero ter vida longa, como é q posso desejar que meus dias passem rápido?". Ela tinha medo de estar encurtando ainda mais a vida ue passava meio sem graça.
Pedir por um dia tranqüilo? todo mundo quer dias tranqüilos e felizes, mas o pedido diário dela era porque as possibilidades do dia não ser tranqüilo eram muito maiores do que as de serem. não apenas uma imprevisibilidade da sorte, mas um fato. podia ser bem pior do que melhor.
Mais uma vez ela sentia medo.
Ela transpira medo todos os dias, o tempo todo, mas ainda acredita que vai chegar o tempo em que ela não mais vai ter q rezar por dias tranqüilos e produtivos, sem dores de estômago e tensão e ainda mais, os dias em que ela ia desejar que tivessem o dobro de horas...todos os dias, a vida maior ainda.
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